quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Psicologia Escolar



O homem vive em sociedade. É no convívio com outros seres humanos que ele desenvolve habilidades motoras, de comunicação, etc. a Psicologia investiga as modificações que ocorrem na relação do indivíduo com o mundo no que diz respeito aos aspectos cognitivos, emocionais, afetivos, etc. e precisa do apoio de outras ciências para a realização dessa tarefa.

Antes de apresentarmos as concepções propostas no título deste tópico, algumas definições são importantes. Vamos a elas.

Desenvolvimento: é o processo pelo qual o indivíduo constrói ativamente suas características, nas relações que estabelece com o ambiente físico e social. A Psicologia do Desenvolvimento investiga como nascem e se desenvolvem as funções psicológicas que diferenciam o homem de outras espécies.

Aprendizagem: processo pelo qual se apreende o conhecimento historicamente construído pela humanidade, mais especificamente o determinado pelo grupo social do qual faz parte. A Psicologia da Aprendizagem estuda o processo pelo qual as formas de pensar e os conhecimentos são apropriados pelas pessoas.

Educação: a educação já acontece, de modo espontâneo, antes de a criança chegar à escola. Há uma série de noções e de conceitos que já se encontram estabelecidos antes da escola. No entanto, a escola é a instituição responsável por selecionar e organizar o conhecimento que será compartilhado. Daí a importância de a Psicologia colocar à disposição seu conhecimento acerca das bases do desenvolvimento e da aprendizagem


Concepção Inatista

Esta concepção entende que os organismos já nascem prontos: todas as modificações que acontecerão ao longo da vida já estão definidas e determinadas pelos genes. Isso parece decorrer de uma má interpretação da teoria da evolução de Darwin, que acabou colocando o ambiente em segundo plano. Na verdade, o ambiente tem papel fundamental na determinação da vida dos sujeitos e em seu percurso. Isso é diferente de afirmar que características alteradas ao longo da vida serão transmitidas geneticamente aos descendentes. De acordo com a concepção inatista, a educação só teria o papel de acompanhar as pessoas – que já estão prontas, geneticamente predispostas – ao longo de seu desenvolvimento e interferir o mínimo possível nesse processo espontâneo. Apesar de parecer retrógrada, uma proposta defendida por um dos candidatos à prefeitura da cidade de São Paulo no ano de 2012 consistia em identificar potenciais criminosos e usuários de drogas dentro das escolas como medida preventiva à violência. Essa proposta, ao que parece, já que não se tem dados detalhados sobre como seria a identificação precoce, provavelmente consistiria em algum tipo de avaliação (da personalidade? Do comportamento?) que identificaria uma suposta predisposição ao crime e ao uso de drogas. Sabe-se da intensa crítica que a Psicologia tem feito a esses modelos interventivos que só reforçam o preconceito e o estigma que recaem sobre uma parcela da população.







Concepção Ambientalista

De acordo com esta concepção, o ambiente tem imenso poder e controle sobre os sujeitos. A origem desse tipo de pensamento está nas concepções de Watson e Skinner, autores do Behaviorismo, bastante difundido nos Estados Unidos. De maneira contrária à concepção apresentada anteriormente, aqui o papel do ambiente é muito mais importante que a maturação biológica. A principal crítica a essa concepção é a de ela ter estimulado um tipo de educação que privilegia métodos, fórmulas e passo-a-passo do ensino, dando menos atenção ao processo de raciocínio do aluno diante de uma situação de aprendizagem. É importante dizer que essa visão enfatiza o objeto de estudo – o comportamento – em relação ao sujeito, o que não quer dizer que ela desconsidera o sujeito.

As duas concepções apresentadas dissociam objeto e sujeito, apresentando uma visão dualista de desenvolvimento. O interacionismo, próxima concepção apresentada, tenta apresentar uma alternativa.







Concepção Interacionista

Para esta abordagem, o ambiente tem um papel determinante como estimulador do desenvolvimento, bem como o indivíduo é visto como um ser ativo e atuante nas situações que determinam suas aprendizagens. O mundo interno (subjetividade) não existe sem o mundo externo (meio) e vice-versa. Esta concepção engloba as duas anteriores e as ultrapassa ao considerar, além dos princípios inatistas e comportamentalistas, uma área de intersecção entre eles. A construção do conhecimento depende da interação entre forças internas e externas ao indivíduo numa dinâmica constante e dialética que o leva a transformar o mundo e a si mesmo.




Fonte: Ambiente Virtual de Aprendizagem - Universidade Nove De Julho

Boa Noite Queridos Leitores

Boa Noite, por motivos pessoais tive que me ausentar por um tempo da pagina  mais estou de volta e esporadicamente vou postar artigos,textos e discussões sobre esta ciência fantástica que é a Psicologia, desmitificando assim a ideia sobre a mesma do ponto de vista  do senso comum ,o intuito da pagina é ajudar leitores
interessados e iniciantes de Psicologia assim como veteranos do curso e formados que desejam rever alguns conceitos, agradeço desde já a preferência e boa leitura.

Texto Reflexo Condicionado

O que é o Reflexo Condicionado

Júlio Rocha do Amaral e  Renato M.E. Sabbatini, PhD

No final do século XIX e no início do século XX, um fisiologista russo chamado Ivan Pavlov (1849-1936), ao estudar a fisiologia do sistema gastrointestinal, fez uma das grandes descobertas científicas da atualidade: o reflexo condicionado. Foi uma das primeiras abordagens realmente objetivas e científicas ao estudo da aprendizagem, principalmente porque forneceu um modelo que podia ser verificado e explorado de inúmeras maneiras, usando a metodologia da fisiologia. Pavlov inaugurava, assim, a psicologia científica, acoplando-a à neurofisiologia. Por seus trabalhos, recebeu o prêmio Nobel concedido na área de Medicina e Fisiologia em 1904. 
  
  
  
  
  
  
 

Ilustração: Renato M. E. Sabbatini
A experiência clássica de Pavlov é aquela do cão, a campainha e a salivação à vista de um pedaço de carne. Sempre que apresentamos ao cão um pedaço de carne, a visão da carne e sua olfação provocam salivação no animal. Se tocarmos uma campainha, qual o efeito sobre o animal? uma reação de orientação. Ele simplesmente olha, vira a cabeça para ver de onde vem aquele estímulo sonoro. Se tocarmos a campainha e em seguida mostrarmos a carne, dando-a ao cão, e fizermos isso repetidamente, depois de certo número de vezes o simples tocar da campainha provoca salivação no animal, preparando o seu aparelho digestivo para receber a carne. A campainha torna-se um sinal da carne que virá depois. Todo o organismo do animal reage como se a carne já estivesse presente, com salivação, secreção digestiva, motricidade digestiva etc. Um estímulo que nada tem a ver com a alimentação, meramente sonoro, passa a ser capaz de provocar modificações digestivas. 
Para que surja um reflexo condicionado é preciso que existam certas condições: 
 
  1. coexistência no tempo, várias vezes repetida, entre o agente indiferente e o estímulo incondicionado (no caso, o som da campainha e a apresentação da carne);
  2. o agente indiferente deve preceder em pouco tempo o estímulo incondicionado. Se dermos a carne primeiro e tocarmos a campainha depois, a reação condicionada não se estabelece;
  3. inexistência naquele momento de outros estímulos que possam provocar inibição de causa externa. Se simultaneamente damos uma chicotada no animal ou lhe jogamos água gelada, provocamos inibição, desencadeando reação de defesa no animal;
  4. para que o reflexo condicionado se mantenha, é necessário que periodicamente o reforcemos. Uma vez que o reflexo se formou, o mero som da campainha substitui a apresentação da carne. Mas, se tocarmos repetidamente a campainha e não mais apresentarmos a carne, depois de um certo número de vezes o animal deixa de reagir com salivação e secreção digestiva.

Como Funciona o Reflexo Condicionado

Estímulo -------> Resposta Estímulo Indiferente + Estímulo Incondicionado (apresentação da carne) ---------> Resposta Incondicionada 
Estímulo Indiferente --------> Resposta Condicionada
.
Explicando melhor: um estímulo indiferente, combinado com um estímulo capaz de ativar um reflexo incondicionado, gera uma resposta incondicionada e, depois de algum tempo, o estímulo indiferente, por si só, é capaz de provocar resposta que pode, então, ser considerada como condicionada. Esses estímulos indiferentes podem vir tanto do meio externo (estímulos sonoros, luminosos, olfativos, táteis, térmicos) como do meio interno (vísceras, ossos, articulações).
As respostas condicionadas podem ser motoras, secretoras ou neurovegetativas. Podem pois, ser condicionadas reações voluntárias ou reações vegetativas involuntárias. Podemos fazer com que respostas involuntárias apareçam de acordo com a nossa vontade, se usarmos o condicionamento adequado. As respostas condicionadas podem ser excitadoras (com aumento de função) ou inibidoras (com diminuição de função).
Existem diversos exemplos de como se pode modificar, através do condicionamento, a fisiologia do animal e do ser humano. Citaremos apenas alguns, para, a partir deles, procurar compreender o que poderia ocorrer no momento do efeito placebo.
A Modificação da Fisiologia Através do Condicionamento
Pavlov e seus seguidores logo perceberam que o condicionamento era muito poderoso no sentido de alterar funções orgânicas. Diversos experimentos comprovaram isso, e abriram um enorme campo de estudos, com muitas conseqüências para a aplicação clínica em seres humanos.
Por exemplo, coloca-se uma sonda retal em um cão e faz-se um enema salino (injeção de água salgada). A presença daquele soluto dentro do intestino provoca, ao fim de algum tempo, aumento da diurese (excreção renal de água) para restabelecer o equilíbrio hidroeletrolítico. Depois de algumas sessões de administração de enema salino através da sonda retal, a mera introdução da sonda retal, sem enema, também provoca aumento da diurese.
Da mesma maneira, se antes de aplicar injeção de insulina em um cão, faz-se com que ele ouça sempre um assobio, a hipoglicemia que surge em decorrência da ação da insulina passará a surgir, depois de algum tempo, pela simples audição do assobio. O metabolismo do animal alterou-se, passando a responder com hipoglicemia a um estímulo sonoro que nada tem a ver, em condições normais, com o metabolismo dos glicídios.

O Sistema Nervoso Central e os Reflexos Conditionados

Finalmente, através do que ficou conhecido como a "Teoria Pavloviana da Atividade Nervosa Superior", Pavlov e seus discípulos foram os primeiros pesquisadores a integrar os estudos da psicologia do aprendizado com a análise experimental da função cerebral. Eles mostraram que os reflexos condicionados se originam no córtex cerebral, o qual, segundo as palavras de Pavlov, "é o distribuidor primário e organizador de toda as atividades do organismo". Ao longo de vários anos, ele e seus discípulos chegaram às leis básicas que governam a operação do córtex cerebral no aprendizado condicionado. 
 

Para Saber Mais

terça-feira, 30 de junho de 2015

Psicologia Científica





Psicologia no Brasil e no Pará

Os estudos de Antunes (2001) e Massini (1990) revelaram que a produção de conhecimento pertinente a área da Psicologia iniciou-se no Brasil logo após o descobrimento, precisamente no período inicial de colonização.


Fig. 16 Brasil-colônia

Por conta disso, Antunes (2001) divide a produção do conhecimento psicológico no Brasil em dois períodos: Pensamento psicológico e Psicologia Cientifica. É possível ainda, subdividir estes períodos em dois (ver diagrama a seguir).

Diagrama 1– Divisão dos períodos da Psicologia Brasileira.



No período pré-institucional (1500 -1808), destaca-se estudos, análises e discussões sobre formas de atuação sobre os chamados fatos psíquicos. Os autores eram na sua maioria brasileiros, formados em universidades européias, com função religiosa ou política na Colônia. As obras eram editadas na Europa. Os temas estudados neste período eram:

• emoções e sua cura (Padre Vieira);

• formação da personalidade (Alexandre de Gusmão), com ênfase no processo educativo;

• relação homem-trabalho, adaptação ao ambiente e formação do caráter brasileiro (Padre Vieira e Mello Franco); e

• loucura e sexualidade (Mello Franco).

Após a chegada da Corte Portuguesa ao Brasil (1808), inicia-se o período onde o conhecimento psicológico foi produzido vinculado a dois tipos de instituições: educacionais e médicas.

A produção vinculada às instituições educacionais se ambientou nas primeiras escolas normais brasileiras, foi realizada principalmente por teólogos, professores e médicos, na sua maioria composta por obras de cunho filosófico, que tinham como preocupação fundamental o desenvolvimento das faculdades psíquicas da criança, em especial a inteligência. Os temas estudados foram:

• fundamento da vida psíquica (alma, eu, consciência);

• fenômenos psíquicos (percepção, emoção, cognição); e

• aplicação deste conhecimento acima da elaboração de métodos de ensino eficazes.

A produção vinculada às instituições médicas se desenvolveu principalmente por meio da teses de doutoramento (espécie de trabalho de conclusão de curso) das faculdades de medicina do Rio de Janeiro e da Bahia. As áreas de interesse eram a Medicina Legal e a Medicina Social. Dentro delas destacam-se os estudos sobre:

• emoções;

• loucura (diagnóstico e tratamento de alucinações mentais, ações preventivas);

• epilepsia e crime;

• sexualidade (prostituição, ninfomania); e

• higiene escolar.

No período pré-reconhecimento da profissão (1890 – 1962) foi se desenhando progressivamente o perfil do psicólogo como um profissional diferenciado do médico e do pedagogo. Este reconhecimento da especificidade da atuação do psicólogo foi se desenvolvendo dentro do seio das mesmas instituições em que a Psicologia era construída e aplicada desde o período anterior (educacionais e médicas), e se estendeu para outra nova, ligadas as primeiras mais voltadas para a seleção e orientação profissional. Alguns fatos merecem destaque:

• Criação de laboratórios de Psicologia nos Hospícios e Asilos, a exemplo do Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro (1923) com seus estudos e aplicações na seleção e orientação profissional em psicoterapia, espaço de formação de psicólogos brasileiros.

• Criação de gabinetes de psicologia e das “Jornadas Brasileiras de Psicologia” pelas Ligas de Higiene Mental.

• A valorização do conhecimento dos aspectos psicológicos envolvidos no crime e delinqüência por Nina Rodrigues.

• A criação do Pedagogium (1890) onde foi fundado o primeiro laboratório de Psicologia do Brasil, com registros claros de estudos sobre a dinâmica do pensamento humano (Manoel Bonfim).

• A aplicação do conhecimento e técnicas psicológicas à seleção e orientação profissional no Instituto de Psicologia de Pernambuco, posteriormente transformado em Instituto de Seleção e Orientação Profissional – o ISOP (Ulysses Pernambucano).

• Os cursos promovidos juntamente com psicólogos estrangeiros para a formação docente na Escola de Aperfeiçoamento Pedagógico de Belo Horizonte, onde foi criada uma classe para crianças com deficiência mental, germe da Sociedade Pestalozzi de Minas Gerais (Helena Antipoff).

• O Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo onde se aplicou pela primeira vez a Psicologia ao trabalho no Brasil (Roberto Mangé).

Após a efervescência do período anterior, incrementou-se a demanda por profissionais psicólogos no Brasil. Em conseqüência disso, surgem os primeiros cursos universitários de formação no Brasil, em Minas Gerais, Brasília e São Paulo no final da década de 50 e início da década da 60. Em 27 de agosto de 1962 foi publicado o Decreto Lei 4119, que reconhecia e regulamentava a profissão no Brasil.






Para se apropriar de detalhes desta trajetória leia:
ANTUNES, M. A. M. A Psicologia no Brasil: leitura histórica sobre sua constituição. São Paulo: UNIMARCO / EDUC, 2001.











Além de consultar o site oficial do Conselho Federal de Psicologia, onde estão disponíveis as primeiras resoluções que regulamentam a ação e formação profissional no Brasil:
http://www.pol.org.br





No Estado do Pará, Bordin (1983, p. 1) afirma que a Psicologia pode ser dividida em dois períodos:

o primeiro, que precede a instalação dos cursos superiores de Psicologia (Bacharelado, Licenciatura e Formação de Psicólogo) e o segundo período subseqüente no qual a marca da existência desse profissional torna-se significativa na região.

Os pioneiros na criação do curso de Psicologia no Pará, especificamente em Belém foram os professores: Ivo Freitas, Samuel Sá e Artêmio Ferreira, que estabeleceram contatos com a UnB e a USP com vista a compor o projeto pedagógico do curso. O curso passou a funcionar em 1974 com 60 alunos na UFPa e foi reconhecido em 1979 (Decreto 1219). Em 1980, passou a funcionar o curso de Psicologia das Faculdades Integradas do Colégio Moderno (FICOM), uma das instituições que deram origem a UNESP, atual UNAMA.

A expansão e a atuação dos profissionais de Psicologia vem se consolidando ao longo dos anos em diferentes áreas de atuação, algumas das quais você conheceu durante a realização da Atividade 1.2 (unidade 1). Hoje contamos com cursos de pós-graduação específicos em Psicologia funcionando na UEPA e na UFPa.






Para conhecer mais detalhes sobre a história da Psicologia no Pará, sugerimos a leitura de:
MONTEIRO, J. B.; FEITOSA, E. S. A inserção e trajetória do psicólogo na instituição hospitalar psiquiátrica no Estado do Pará: a busca de uma identidade. Belém: SPEP, 2000.





Síntese da Unidade

A criação da Psicologia Científica é uma obra assinada por vários autores, alguns que conhecemos na unidade anterior (os filósofos) e outras que conhecemos agora (os fisiólogos). Estes últimos, fundamentais na construção de instrumentos e estratégias para investigar experimentalmente (como pedia a época – Positivismo) os fenômenos mentais, em especial a percepção humana. Wundt o primeiro psicólogo, por sinal fisiólogo de formação, segue a trilha dessa Psicologia Fisiológica no laboratório de Leipzig. Esta Psicologia Fisiológica significou apenas a primeira proposta de se fazer Psicologia Científica.

Logo a Psicologia atravessou o Atlântico e nos E.U.A conheceu outras propostas: a de Titchener (a Psicologia Estrutural) com suas investigações sobre a consciência com método, objetivos e concepções sobre a mente muito diferentes de Wundt; a de James, Dewey, Angell, Carr e Woodworth (a Psicologia Funcional) com o fim do monismo metodológico, com ampliação de interesse, campos e sujeitos de investigação sob a influência darwinista; a de Watson (o Behaviorismo) com o forte propósito de banir a mente e a consciência do campo de investigações psicológicas, buscando o estudo objetivo de comportamento, para ele explicável apenas pela relação S-R; a de C. R. Rogers (a Abordagem Centrada na Pessoa) que fez o caminho contrário, iniciou-se na área de aplicação e posteriormente voltou-se para a construção da teoria científica. Na própria Alemanha, a Psicologia Científica de Wundt conheceria oposições, a mais forte dela feita pela Psicologia da Gestalt de Wertheimer, Koffka e Köhler, com sua proposta holística de explicação da percepção, aprendizagem e criatividade em homens e animais.

Somando-se a esta intensa movimentação dos primeiros anos da Psicologia Científica surge S. Freud que com suas investigações sobre a doença mental culminam com a proposição da Psicanálise, ao mesmo tempo, sistema explicativo de funcionamento psíquico e método de intervenção clínica, que foi fundamental para a ampliação das investigações psicológicas a um campo ainda inexplorado: o inconsciente.

Esta Psicologia estudada por nós nesta unidade atravessou a história de vários países, no Brasil veio sendo construída desde os tempo do Brasil-Colônia, época em que se podia falar em conhecimento científico em Psicologia e atravessando diferentes épocas da nossa história veio a se constituir como uma área do conhecimento necessária e diferenciada no período de 1890 a 1962, quando a demanda pelos serviços psicológicos gerou o reconhecimento da profissão (Decreto Lei 4119/ 27 de agosto) e a criação dos primeiros cursos de formação.

Nesta unidade, você também conheceu um pouco da chegada da Psicologia no Pará, pela via de profissionais formados em outros estados e pela fundação de seus dois cursos superiores na UFPa (1974) e na FICOM atual UNAMA (1980).


REFERÊNCIAS

ANTUNES, M. A. M. A Psicologia no Brasil: leitura histórica sobre sua constituição. São Paulo: UNIMARCO / EDUC, 2001.

BARRETO, C. L. B. T. A evolução da terapia centrada no cliente. In: GOBBI, S. L.; MISSEL, S. T. Abordagens centrada na pessoa: vocabulário e noções básicas. Tubarão: UNISUL, 1998. p. 167- 183.

BORDIN, F. M. História da Psicologia no Pará. Belém: mimeo, 1983 (ensaio).

CARRARA, K. Behaviorismo Radical: crítica e metacrítica. Marília: UNESP/ FAPESP, 1998. capítulos 2, 4 e 5.

COSTA, N. Terapia analítico-comportamental: dos fundamentos filosóficos à relação com o modelo cognitivista. Santo André: ESETec, 2002.

DARWIN, C. A origem das espécies: esboço de 1842. Trad. Mario Fondelli. Rio de Janeiro: 1996. (Série Clássicos Econômicos Newton, v. 9).

______. A expressão das emoções no homem e nos animais. Trad. Leon de Souza Lobo Garcia. São Paulo: Companhias das Letras, 2000. Originalmente publicado em 1872.

GOBBI, S. L. Carl Rogers: vida e obra. In:______.; MISSEL, S. T.Abordagens centrada na pessoa: vocabulário e noções básicas. Tubarão: UNISUL, 1998. p. 261 – 271.

HERRMANN, F. O que é Psicanálise? São Paulo: Brasiliense, 1996.

JORGE, M. A. C.; FERREIRA, N. P. Freud: criador da Psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 2002. (Coleção Psicanálise Passo-a-Passo 14).

KUPFER, M. C. Freud e a educação. São Paulo: Scipione, 1997. (Coleção Pensamento e ação no Magistério).

MARX, M. H.; HILLEX, W. Sistemas e teorias em Psicologia. 9. ed. São Paulo: Cultrix, 1993. p. 59 – 66.

MASSIMI, M. História da Psicologia Brasileira. São Paulo: EPU, 1990.

MONTEIRO, J. B.; FEITOSA, E. S. A inserção e trajetória do psicólogo na instituição hospitalar psiquiátrica no Estado do Pará: a busca de uma identidade. Belém: SPEP, 2000.

PAIXÃO, C. J. A moral positivista na sociedade brasileira do século XIX. Belém: UNAMA, 2004.

RIBEIRO, I. R. Raízes da Psicologia. Petrópolis: Vozes, 1997.

ROSA, E. Z.; KAHHALE, E. M. P. Psicologia Humanista: uma tentativa de sistematização da denominada terceira força em Psicologia. In: KAHHALE, E. M. P. A diversidade da Psicologia: uma construção teórica. São Paulo: Cortez, 2002. p. 115 – 156.

______; RIBEIRO, A. M.; MARKUNAS, M. Psicanálise. In: KAHHALE, E. M. P.A diversidade da Psicologia: uma construção teórica. São Paulo: Cortez, 2002. p. 115 – 156.

SCHULTZ, D. P; SCHULTZ, S. E. História da Psicologia Moderna. 14. ed. São Paulo: Cultrix, 1999.

TEIXEIRA, R. P., NUNES, M. L. T. A natureza cientifica da Psicologia. Revista Psicologia Argumento, v. 18, n. 27, p. 67 -78, 2000.

ZIMERMAN, D. E. Fundamentos psicanalíticos: teoria, técnica e clínica, uma abordagem didática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999

Psicologia Ciência e Profissão

Boa noite leitores,
vou postar um texto sobre a importância da Psicologia como profissão, já que muitas pessoas acabam deturpando a imagem tanto do profissional como da área por vezes querendo dar um tom de miticismo ao exercício profissional, muitas pessoas devido ao senso comum e o que houve falar sobre Psicologia acreditam que o Psicologo  é capaz de ler a mente das pessoas ou algo do tipo, cabe esclarecer a estas  pessoas que este profissional apenas tem suporte técnico e cientifico para analisar o comportamento humano identificar suas patologias e transtornos e assim traçar uma terapia que possa beneficiar o cliente/paciente ,a psicologia como ciência de fato é nova sim diante de todos os períodos que atravessou para se solidificar , mas podemos afirmar com veracidade que esta ai umas das contribuições importantes da ciência que é prever e controlar o comportamento humano,criando assim métodos corretivos e preventivos  de estados que geram sofrimentos psíquicos a nós seres humanos.  Espero que gostem do texto.

Behaviorismo – Definição e História







A idéia central do behaviorismo é basicamente formulada como a possibilidade de existir uma ciência do comportamento. Dependendo do behaviorista esta visão pode ser diferente, não alterando a premissa de que haja uma ciência do Comportamento.

Filosofia da Ciência

Existe um debate em torno do behaviorismo, a ciência do comportamento, ser a própria psicologia ou uma área parte ou independente da psicologia. Contudo, sendo o behaviorismo um conjunto de idéias sobre essa ciência chamada análise do comportamento, e não a propriamente dita ciência, o behaviorismo não é uma ciência, mas a filosofia da ciência. Abordando assim, como filosofia, tópicos sobre por que fazemos o que fazemos e o que devemos e não devemos fazer.




História - De Filosofia à Ciência

Todas as ciências tiveram suas origens na filosofia. E a medida que os séculos se sucederam os ramos da filosofia romperam e se especializaram. Assim como a psicologia, que até a década de 40 era raro encontrar um departamento de psicologia. E na última metade do século XIX, tornou-se comum chamar a psicologia de “ciência da mente”. Como método, os psicólogos propuseram a introspecção inicialmente para estudar a mente. Disso duas correntes de pensamento se somaram para corroer esta visão a psicologia objetiva e a comparativa.

Psicologia Objetiva

Não a vontade com a introspecção, pois outras ciências utilizavam métodos objetivos que produziam medidas verificáveis e replicáveis em laboratórios do mundo inteiro, outros psicólogos como Gustav Fechner, 1801-1887,desenvolveram outros métodos que pareciam medir a intensidade subjetiva da sensação, desenvolvendo uma escala que se baseava na diferença apenas perceptível, ou seja, a menor diferença física entre duas luzes ou sons que uma pessoa conseguia detectar. Hermann Ebbinghaus, 1850 – 1909, mediu o tempo que ele levava para aprender e reaprender listas de sílabas sem sentido, a fim de produzzir medidas de aprendizagem e memória. I. P Pavlov, 1849 – 1936, desenvolveu um método para o estudo da aprendizagem e associação através da medida de um reflexo simples transferido para novos sinais apresentados n olaboratório. Traziam assim, a perspectiva de que a psicologia poderia transformar-se em uma verdadeira ciência;

Psicologia Comparativa

Conforme nasceu a noção de continuidade da espécie, por Darwin, de que mesmo sendo claramente diferentes as espécies também se assemelham à medida que compartilham a mesma história evolutiva, tornaram-se comuns as comparações entre outras espécies e a nossa. George Romanes, levou esse raciocínio a sua conclusão lógica, chegando a defender que nossa própria consciência deve servir de base para nossas conjeturas sobre uma eventual tênue consciência que ocorra em formigas.Este antropomorfismo, ou “humanizar a besta” soou como especulação para alguns. O problema das afirmações sobre consciência animal é que ficava a mercê de vieses individuais, do caráter subjetivo das observações, pondo que a discordância não poderia ser resolvida através de outros experimentos. John B Watson, disse ainda que as inferências sobre as consciências animais eram menos confiáveis do que a introspecção e que nenhuma poderia servir como ciência.

Primeira Versão do Behaviorismo

Watson ppublicou o ártico “Psichology as the Behaviorist Wiews It” tomado como manifesto do incipiente behaviorismo e, guiado pela psicologia objetiva, articulou a crescente insatisfação com os métodos anteriores, como a introspecção e a analogia. Dizia ainda que por se emaranhar nesses esforços infrutíferos, causaram a definição de psicologia como ciência da consciência, definição que era responsável pela incapacidade da psicologia se tornar uma verdadeira ciência. Para ele, evitar os termos relacionados à consciência e a mente, deixariam a psicologia livre para estudar o comportamento humano e animal. Essa ciência do comportamento, não usaria termos tradicionais referentes à mente e consciência e evitaria a subjetividade da introspecção e analogias, estudando só o comportamento objetivamente observável. Apesar de algumas divergências entre os behavioristas, todos concordam com a premissa básica de que é possível criar uma ciência natural do comportamento e que a psicologia pode ser esta ciência.

Livre Arbítrio Versus Determinismo


O livre arbítrio dizia que a capacidade do indivíduo fazer escolhas supõe algo dentro do indivíduo, juntamente com o ambiente e a hereditariedade, sendo as pessoas livres para escolher suas respostas, enquanto odeterminismo pregava a noção de que o comportamento é determinado unicamente pela hereditariedade pelo ambiente.

Argumentos Pró e Contra Livre Arbítrio

A crença de que o comportamento é determinado poderia encorajar ditaduras e resumidamente que a negação do livre arbítrio poderia solapar toda a estrutura moral de nossa sociedade. Mas, mesmo a democracia se baseando na escolha, uma escolha não se torna sem sentido ou impossível de acontecer se não houver livre arbítrio. Essa idéia de que desapareceria se não existisse provém de uma noção muito simplista da alternativa ao livre arbítrio. Por isso é necessário que o conhecimento advindo de uma ciência do comportamento esteja a serviço do bom uso, sem a necessidade do abuso.


Estéticamente é atribuído pelos críticos do livre arbítrio que ele é ilógico quando associado a noção de um Deus onipotente. Os defensores, contrapõe que os cientistas não podem prever em detalhes as ações de um indivíduo, podendo ser possível de existir mesmo que seja um mistério. Os behavioristas, respondem que é exatamente sua natureza misteriosa que o torna inaceitável, ao levantar o problema que outras ciências tiveram de superar: Como uma causa não-natural pode levar a eventos naturais? Os behavioristas dão a resposta de outras ciências também: Os eventos naturais provém somente de outros eventos naturais.

Daiana Cristina Rauber - Teorias Comportamentais e Cognitivistas. II Período de Psicologia.

Resumo de Baum (Cap. 1 - p. 21 – 34)

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Estimulo X Resposta



Os conceitos de estímulo e resposta não podem ser entendidos separadamente. Qualquer evento do meio torna-se um estímulo se for seguido por uma resposta. Estes termos são de fundamental importância para que possamos estudar a relação do meio com o comportamento de forma específica e mais precisa. O behaviorismo estuda esta relação e, como o meio e o comportamento são conceitos muito amplos, definiu estímulo e resposta como unidades básicas da descrição e como ponto de partida para que fosse possível realizar uma ciência do comportamento. Qualquer relação entre estímulo, representado pela letra R, e resposta, representada pela letra S, é denominada de reflexo.


Este termo também é usado para denominar as respostas para as quais os respectivos estímulos não são claramente observáveis. Um exemplo disto é quando uma criança começa a bater palmas repentinamente, e não sabemos exatamente o porquê. Entre o aparecimento de um estímulo e a emissão de uma resposta existem eventos corporais. Os estímulos afetam os órgãos dos sentidos, que quando excitados, fazem com que os impulsos nervosos sejam transmitidos até o cérebro ou medula e daí aos músculos e glândulas. É desta seqüência que resultam as respostas que, relacionadas com os estímulos, é o que interessa aos psicólogos comportamentais.